Visconde de Mauá: o
maior empresário
Irineu Evangelista de Souza (1813-1889), o Visconde
de Mauá, ou Barão de Mauá, nasceu em no município de Arroio Grande (*),
então distrito de Jaguarão, estado do Rio Grande do
Sul, no dia 28 de dezembro de 1813. Industrial, banqueiro, político e
diplomata, é um símbolo dos capitalistas empreendedores brasileiros do século
XIX. Inicia seus negócios em 1846 com uma pequena fábrica de navios em Niterói
(RJ). Em um ano, já tem a maior indústria do país: emprega mais de mil
operários e produz navios, caldeiras para máquinas a
vapor, engenhos de açúcar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamentos
de água. É pioneiro no campo dos serviços públicos: organiza companhias de
navegação a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; em 1852 implanta a
primeira ferrovia brasileira, entre Petrópolis e Rio de Janeiro, e uma
companhia de gás para a iluminação pública do Rio de Janeiro, em 1854. Dois
anos depois inaugura o trecho inicial da União e Indústria, primeira rodovia
pavimentada do país, entre Petrópolis e Juiz de Fora. Em sociedade com
capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas, participa da construção da
Recife and São Francisco Railway Company;
da ferrovia dom Pedro II (atual Central do Brasil) e da São Paulo Railway (hoje
Santos-Jundiaí). Inicia a construção do canal do mangue no Rio de Janeiro e é
responsável pela instalação dos primeiros cabos telegráficos submarinos,
ligando o Brasil à Europa. No final da década de 1850, o visconde funda o Banco
Mauá, MacGregor & Cia., com filiais
em várias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e
Montevidéu. Liberal, abolicionista e contrário à Guerra do Paraguai, torna-se persona non grata no Império. Suas
fábricas passam a ser alvo de sabotagens criminosas e seus negócios são
abalados pela legislação que sobretaxava as
importações. Em 1875 o Banco Mauá vai à falência. O visconde vende a maioria de
suas empresas a capitalistas estrangeiros.
Impulso à industrialização – Em 1844 é criada a
tarifa Alves Branco, que aumenta as taxas aduaneiras sobre 3
mil artigos manufaturados importados. Seu objetivo é melhorar a balança
comercial brasileira, mas acaba impulsionando a substituição de importações e a
instalação de inúmeras fábricas no país. Com o fim do tráfico negreiro, os
capitais empregados no comércio de escravos também impulsionam a
industrialização.
Novas indústrias – Em 1874 as estatísticas
registram a existência de 175 fábricas no país. Dez anos depois, elas já são
mais de 600. Concentram-se
O Visconde de Mauá
faleceu em Petrópolis-RJ, no dia 21 de outubro de 1889.
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Visconde de Mauá |
O maior empresário A partir de 1850
o Brasil começa a viver um período de estabilidade política, no qual ocorrem
algumas mudanças na região Sudeste, onde havia uma economia mais dinâmica e
isso provoca também uma certa modernização capitalista
no país.
Uma das figuras que mais se destacou no século XIX, no campo da
economia, das finanças e dos empreendimentos modernos, foi o Barão de Mauá, depois Visconde de Mauá.
Seu nome era Irineu Evangelista de Sousa. Nascido no Rio Grande
do Sul, Irineu ficou órfão de pai aos 5 anos. Foi
morar no Rio de Janeiro e aos 11 anos já trabalhava como contínuo, aos 15 era o
empregado de confiança do patrão. Aos 23 já era sócio da firma escocesa onde
trabalhava. Aos 27 anos, o ex-menino pobre viajou até a Inglaterra, conhecendo
assim o país mais rico do mundo, visitando fábricas, fundições de ferro, muitos
empreendimentos comerciais importantes.
De volta ao Brasil, resolve tornar-se industrial. Foi o primeiro
do Brasil, aos 32 anos. Visitando uma fundição de ferro na Inglaterra, Mauá
escreveu: "Era precisamente o que eu contemplava como uma das necessidades
primárias para ver aparecer a indústria propriamente
dita no meu país... é a indústria que manipula o ferro, sendo a mãe das outras,
que me parece o alicerce".
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Fábrica de Gás do Rio de Janeiro |
Aos 40 anos Mauá já estava rico. Investiu na indústria pesada, fundições, estradas de ferro,
estaleiros. "Fabricava ferro, sinos, pregos e navios a vapor. Em menos de
uma década tinha setecentos operários de várias nacionalidades".
Fundou também a Compainha de
Iluminação a Gás do Rio de Janeiro, companhias de navegação e companhias de
bonde, e construiu estradas de ferro, inclusive a
Estrada de Ferro do Recife ao São Francisco, a segunda do Brasil, e mais 17
empresas instaladas em seis países. O Barão foi precursor de multinacionais, da
globalização e do Mercosul, e no Brasil seus negócios
se espalhavam do Amazonas ao Rio Grande do Sul. Mauá era um empresário da
diversificação. Tudo que era moderno tinha suas mãos. Financista, o Barão tinha
bancos, empresas de comércio exterior, mineradoras, usinas de gás, fazendas de
gado e sócios milionários em toda a Europa.
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Cédula de Dinheiro |
No Rio de Janeiro, Mauá tinha a melhor demonstração dos seus
negócios com seus navios a vapor, sua estrada de ferro até Petrópolis, as luzes
da cidade com a companhia de iluminação a gás dos lampiões, as velas que se
consumiam nas casas, a água que chegava pelos canos de ferro instalados por
seus engenheiros. Tudo no Brasil que significasse desenvolvimento e progresso,
onde não houvesse escravos, tinha a marca de Mauá. Ele controlava 8 das 10 maiores empresas do país; as duas excluídas, eram o
Banco do Brasil e a Estrada de Ferro D. Pedro 2º, ambas estatais. Sua fortuna
em 1867, atingiu o valor de 115 mil contos de réis,
enquanto o orçamento de todo o império contava apenas com 97 mil contos de
réis. Sua fortuna seria o equivalente a 60 milhões de dólares, hoje.
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Maria Fumaça |
Mas, o Visconde de Mauá era um estranho no ninho. No ninho de um
país ruralista, escravocrata e latifundiário, cuja economia vivia sob o
controle estatal. Por isso era incompreendido e até perseguido, era
"desprezado e talvez invejado por D. Pedro II, o monarca iluminista que só
admirava as letras quando não eram promissórias e números se fossem
abstratos... Jamais tiveram alguma discussão pública ...
mas sua incompatibilidade de gênios era notória. Mauá cometia o supremo pecado
de ser devotado ao lucro e isso o arqueólogo diletante, linguista
e filólogo, astrônomo amador... botânico de fim de semana, D. Pedro II, não
podia tolerar".
Em conseqüência disso, os políticos partidários do imperador
inviabilizavam quanto podiam os projetos de Mauá, até ao ponto de torná-los
impossíveis. O Visconde era um gigante em terra de anões. Afinal depois de
muita perseguição em 1875, Mauá faliu e pediu moratória por 3
anos. Vendeu tudo o que tinha ( 60 milhões de dólares
) pagou todas as dívidas e limpou seu nome.
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Locomotiva Rocket
- 1930 |
Irineu Evangelista de Sousa, Barão de Mauá, era respeitado pelos
grandes banqueiros ingleses, como "o único banqueiro confiável do
Hemisfério Sul". Morreu em 1889, famoso e respeitado na Europa. Chegou a
ser citado por Júlio Verne num dos seus trabalhos. A perseguição e incompreensão
dos poderosos proprietários escravocratas brasileiros que não se adaptavam à
modernidade capitalista praticada por Mauá e que o levaram à falência
constituiu um retrocesso e um dos mais lamentáveis fatos da história econômica
brasileira do século XIX.